quarta-feira, 30 de junho de 2010

Fim das oitavas de final - classificados, destaques e decepções

Terminadas as oitavas de final da Copa, apenas oito seleções continuam vivas em busca do sonho da conquista do campeonato mundial. Mas antes de entrarmos nas quartas de final, que começam na 6a feira, vale a pena analisar as 16 seleções que passaram às oitavas, e o que conseguiram apresentar nesta nova fase da Copa do Mundo, onde não existe mais espaço e nem tempo para recuperação. É ganhar ou ganhar.

No 1o confronto das oitavas, entre Uruguai e Coréia do Sul, destaque para a "celeste olímpica", que retorna ao cenário mundial como uma das grandes forças do futebol, revivendo sua era de ouro, principalmente entre as décadas de 30 e 50, quando foi bicampeã, ganhando, inclusive, do Brasil em pleno Maracanã (famoso Maracanaço de 50). Ataque potente, com Forlan e Suarez, muita competitividade no meio e uma defesa forte, liderada pelo zagueiro Lugano, o Uruguai aparece cotadíssimo para as semi-finais (pois, nas quartas, enfrentará Gana), podendo ser o adversário do Brasil, caso este também passe pela Holanda. Com relação à Coréia do Sul, mostrou um futebol de toque e chegou a pressionar o Uruguai em grande parte da partida nas oitavas, mas carece ainda de melhor pontaria e acerto nas finalizações. Vale destacar que já não é mais uma simples coadjuvante em Copas, tendo desenvolvido muito seu futebol nos últimos 10 anos.

No 2o confronto, entre Estados Unidos e Gana, destaque para a evolução do futebol norte-americano. Sem dúvida, será uma das forças do futebol nos próximos anos, caso o trabalho atual continue (é bom que se diga isso, já que o país ainda não comprou o "soccer" como esporte nacional). Também deixou de ser coadjuvante em Copas, e vem melhorando seu desempenho nos últimos anos, com destaque para o vice-campeonato da Copa das Confederações em 2009, quando eliminou a Espanha e enfrentou o Brasil na final, chegando a estar na frente do placar por 2x0, no primeiro tempo. Já Gana segue na competição, representando o continente africano. Para os críticos que diziam ser a seleção de Costa do Marfim a melhor da África, Gana está provando que futebol não é só marcação rígida (e, diga-se de passagem, desleal) e físico avantajado: é também toque de bola e habilidade. No jogo contra os americanos, prevaleceu o preparo físico dos atletas de Gana, mas o futebol apesentado também contribuiu para a vitória. No confronto com o Uruguai, pelas quartas de final, o peso da camisa pode fazer diferença a favor da "celeste", mas não se enganem se Gana surpreender novamente e avançar para as semi-finais.

Alemanha e Inglaterra fizeram um clássico emocionante, mas um erro grave da arbitragem pode ter modificado o resultado final da partida. Nunca saberemos se a Inglaterra, com o gol de empate mal anulado pelo juiz, tomaria conta do jogo e venceria os alemães. Mas de uma coisa sabemos: a Alemanha mostrou que tem um time forte, candidatíssimo ao título, e com um diferencial que até então, nas últimas Copas, não possuía: habilidade de seu meio campo. Com uma nova safra de jogadores, como Oezil, Mueller e Podolsky, além do excelente Schweinsteiger, a Alemanha deixa de ser apenas uma seleção de força defensiva e futebol eficiente, para ser uma seleção de força defensiva, futebol eficiente e habilidade, jogando bonito e encantando os torcedores e admiradores do futebol. Soma-se tudo isso à força da camisa alemã, e temos aí um temido adversário para as finais da Copa. A Inglaterra, por sua vez, não conseguiu apresentar o futebol que todos esperavam. Seus principais jogadores - Rooney, Lampard, Gerard, Cole - não foram nem a sombra do que jogam em seus clubes, decepcionando pela baixa performance. Foi, sem dúvida, uma das maiores decepções da Copa, juntamente com a Itália e a França. Se classificou na "bacia das almas", e mesmo que tivesse conseguido o empate contra a Alemanha, também não sabemos se suportaria o ataque rápido e inteligente dos alemães até o final do jogo. No frigir dos ovos, foi melhor para o futebol e para a Copa que a Alemanha tenha se classificado.

Para enfrentar a Alemanha nas quartas de final, nada menos do que a mais badalada de todas as seleções da Copa, até o momento: a Argentina. Seleção que vem encantando a todos pelo futebol ofensivo apresentado até o momento, a seleção de Maradona (vale dizer, a "figuraça" da Copa) tem 100% de aproveitamento no torneio, e a cada partida, vem mostrando seu poderio ofensivo contra os adversários. No jogo contra o México, também um erro gravíssimo do juiz deu à Argentina a vantagem no placar, com a validação de um gol de Tévez em impedimento claro. Também nunca saberemos se o resultado da partida seria outro sem "essa ajuda extra", mas o fato é que a Argentina pressionou e acuou o time mexicano quase todo o tempo da partida, e fez mais dois gols para consolidar sua classificação por 3x1. Ainda fica a dúvida sobre a defesa da Argentina: na minha opinião, ainda não foi devidamente testada nesta Copa, o que deve acontecer justamente no jogo contra a Alemanha. Já o México mostrou um bom futebol na 1a fase do torneio, quando venceu a França e empatou com os donos da casa, a África do Sul, com o estádio todo torcendo contra (muita pressão). Entretanto, faltou meio de campo para cozinhar o jogo contra a Argentina, e tentar aproveitar alguns lances de contra-ataque para decidir a seu favor.

Brasil e Chile fizeram um bom jogo nas oitavas (claro, bom para o Brasil). A seleção de Dunga não tomou conhecimento do adversário, e dominou totalmente o jogo. Pouquíssimas chances foram criadas pela seleção chilena, que possui uma boa safra de novos atacantes. O Brasil foi privilegiado em pegar o Chile, pois pôde testar uma nova formação, até mesmo em virtude da contusões de alguns titulares, a qual deu resultado e mostrou que o plantel pode dar conta do recado daqui pra frente. Kaká e Luis Fabiano, a cada jogo, vêm melhorando de rendimento, e a concentração e o espírito de grupo saltam aos olhos para quem assiste aos jogos da seleção canarinho. A partir de agora, os adversários serão mais fortes, mas o peso da camisa amarela é, talvez, a grande arma do Brasil contra qualquer seleção - não há quem não respeite e tema a seleção brasileira.

Nosso adversário nas quartas será a Holanda, grande incógnita da Copa até agora. Já apontei isso em posts anteriores: a Holanda ainda não enfrentou uma forte seleção na Copa, e apesar de ter 100% de aproveitamento no torneio, ganhou seus jogos jogando "pra conta do chá". Não vemos, ainda, o futebol envolvente e bonito da Holanda de outros campeonatos, e que era aguardado também para esta competição. Entretanto, futebol bonito que nunca ganha é algo que os holandeses querem deixar no passado. O pensamento do técnico e dos jogadores é ganhar os jogos, sendo eficiente nas finalizações e fortes na marcação, e terminar no dia 11 de julho com a taça de campeão. Talvez agora, contra o Brasil, consigamos assistir a verdadeira Holanda, jogando no máximo de sua capacidade - tomara que não mostrem nada além do que já vimos até então. Quanto à Eslováquia, derrotada pela Holanda, muito pouco apresentou na partida, sendo dominada pela seleção holandesa. Entretanto, teve oportunidade de complicar o jogo para a "laranja", mas seus atacantes pararam nas mãos do excelente goleiro holandês.

Para terminar, Paraguai e Japão fizeram o 7o confronto das oitavas de final, tendo sido este o pior jogo dos oito realizados nesta fase. Ninguém queria atacar, ninguém queria tomar gol. Ficaram os dois times jogando defensivamente, com muita marcação no meio de campo, e pouquíssimas chances criadas no ataque. Como consequência, 0x0 no tempo normal, e 0x0 também na prorrogação. Emoção apenas nas cobranças de penalidades máximas, onde o Paraguai foi eficiente e ganhou por 5x3. Grande feito para a seleção paraguaia, que nunca havia se classificado para as quartas de final de nenhuma Copa. Tristeza para os japoneses, que até jogaram bem na 1a fase, mas pagaram o preço da falta de ousadia no jogo que valia tudo para seguirem na competição.

O último jogo das oitavas apresentou o futebol da melhor seleção da Copa, na minha opinião: a Espanha. Apesar do viés sofrido na 1a rodada, quando dominou totalmente o jogo mas foi vencida pela Suíça por 1x0, a Espanha se recuperou no torneio, se classificando em 1o do grupo e já pegando nas oitavas um grande adversário, a seleção de Portugal, do apagado Cristiano Ronaldo. A seleção de Xavi, Iniesta, Villa e companhia dominou o jogo, com aproximadamente 2/3 de posse de bola, e um futebol envolvente, de toques rápidos e muita variação de jogo. Portugal resistiu bravamente às investidas espanholas, graças à atuação quase impecável de seu goleiro, mas sucumbiu ao talento e habilidade do artilheiro da Copa até agora, David Villa, que marcou o único gol do jogo, e que classificou a Espanha para as quartas de final. Realmente uma seleção a ser temida por todos, talvez a favorita para a conquista do título, e que deve passar facilmente pela seleção paraguaia, esperando Alemanha ou Argentina nas semi-finais. Destaque negativo para a atuação de Cristiano Ronaldo, atacante português que não se apresentou na Copa, como muitos outros que também decepcionaram.

Um comentário:

  1. No comentário entre Estados Unidos e Gana, acredito que faltou destacar que Gana prova ser a melhor seleção do continente, por ter ganho um mundial sub-20 no inicio o século e ainda chegou as oitavas no ultimo mundial, se destacando no continente nos últimos 10 anos

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